Carlos Eduardo Moraes dos Santos, mas seu nome artístico é Carlinhos 7 Cordas. Músico de formação popular estudou no conservatório Vila Lobos-CIGAM (Centro Iam Guest de Aperfeiçoamento Musical). Começou a tocar com o compositor Nei Lopes, integrou a Banda de Marquinhos Satã – Reinaldo. Em 1992 ingressou na banda da cantora Beth Carvalho e a acompanhou em shows no Brasil e no Exterior, se apresentando em países como Estados Unidos, Suíça, França, Uruguai e Angola. Além de ter atuado em shows e gravações de vários nomes da MPB: Beth Carvalho, Alcione, Ivan Lins, Eliana, Chico Buarque, Liza Ono, Lobão, Maria Bethânia e Fernanda Abreu, entre outros, Carlinhos lançou recentemente, em parceria com o Pianista Guilherme Vergueiro, CD instrumental em Los Angeles e Londres.
Marcello Gonçalves é sempre lembrado quando se trata de violão de sete cordas, sendo muito requisitado em gravações de artistas da MPB. Em 1996, formou o Trio Madeira, ao lado de Ronaldo do Bandolim (Ronaldo Souza Silva), José Paulo Becker (violão e viola caipira). O grupo lançou seu primeiro CD, “Trio Madeira Brasil”, em 1998, gravando clássicos do choro. O disco acabou recebendo duas indicações para o Prêmio Sharp, nas categorias Melhor Disco e Melhor Grupo. Em 2000 lançou o CD Pixinguinha de Bolso (Kuarup), ao lado de Henrique Cazes (Cavaquinho). Participou ainda dos CDs Sempre Waldir e Villa por Chorões, ambos lançados pela Kuarup em 2002. No ano seguinte participou, com o Trio Madeira, da gravação do novo disco de Guilherme de Brito, no qual o grupo foi responsável por todos os arranjos e acompanhamento do compositor e seus convidados, entre eles, Beth Carvalho.
É já um dos mais requisitados violonistas de 7 cordas da atualidade, tendo tocado e gravado com grandes nomes como Elza Soares, Elton Medeiros, Baden Powell, Ney Matogrosso e Gal Costa. Gravou pela EMI Classics inglesa o CD “Bach in Brazil”, com o qual realizou turneé por Portugal e Inglaterra. Com seu duo com Henrique Cazes no CD Pixinguinha de Bolso já esteve na Finlândia e Venezuela. É também integrante do grupo Rabo de Lagartixa.
Fernando César Vasconcelos Mendes nasceu em 18 de setembro de 1970 na cidade do Rio de Janeiro. César, como é mais conhecido, optou pelo violão de sete cordas e sua trajetória musical se confunde com a de seu irmão, Hamilton de Holanda, no Dois de Ouro. Eles começaram a tocar, ainda crianças, incentivados pelo pai, José Américo (violão de seis cordas). A primeira apresentação do Grupo aconteceu em setembro de 1981, no Clube do Choro de Brasília. A partir daí, o Dois de Ouro fez várias apresentações e shows, os quais proporcionaram aos irmãos Hamilton e César encontros musicais com grandes nomes do música brasileira, como: Altamiro Carrilho, Raphael Rabello, Armandinho Macedo, Paulinho da Viola, Dino Sete Cordas, Marco Pereira, Carlos Malta, Ademilde Fonseca e Hermeto Pascoal. Gravou três Cd’s com o Dois de Ouro, além de participar de outras várias gravações de diversos artistas. O segundo CD do Dois de Ouro foi eleito pelo Correio Braziliense o disco do ano de 1998 em MPB e, em conseqüência, o Dois de Ouro ganhou o Prêmio Candango de Cultura, oferecido pela Secretaria de Cultura do Distrito Federal, como destaque em música no ano de 1998. Com o Dois de Ouro, Fernando César participou de diversos shows em países como França, Áustria, Turquia e África do Sul, além de acompanhar seu irmão, Hamilton de Holanda, no Free Jazz em 2000. Além do seu trabalho no Dois de Ouro, Fernando César participou do grupo Choro Livre, entre 1988 e 1991, e com o qual gravou dois discos, tendo feito várias apresentações no Brasil, e uma tournée no Uruguai. A partir de 2001, volta a integrar o grupo Choro Livre, e participa dos projetos do Clube do Choro de Brasília: Ernesto Nazareth, pai do Choro moderno ( 2001 ); Caindo no Choro ( 2002 ); Tributo à Garoto ( 2003 ) acompanhando diversos instrumentistas brasileiros, entre eles: Sivuca, Rildo Hora, Sebastião Tapajós, Paulo Moura, Heraldo do Monte, Paulo Sérgio Santos, Joel Nascimento, Déo Rian, Carlos Poyares, Raul der Barros, Hermeto Paschoal, Altamiro Carrilho, Armandinho Macedo, Léo Gandelman, Zé Menezes, Wagner Tiso, Vittor Santos, Henrique Cases, Turíbio Santos, Carlos Malta, Dominguinhos e outros. Em 2002 no Projeto Caindo no Choro tocou como convidado nos shows de Marco Pereira e do Quinteto Villa Lobos . Estudou na Escola de Música de Brasília de 1982 a 1987 onde pode tocar e conhecer mais profundamente vários instrumentos como o violino, o violoncelo, o oboé e a flauta doce, além de ter participado de corais. Paralelamente ao seu estudo na Escola de Música, Fernando César estudou teve como professor o violonista Everaldo Pinheiro. Desde 2002 é professor de Violão na Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello, e atualmente acumula também a função de coodenador da Escola, a primeira no mundo, voltada para o ensino do Choro. Com o Dois de Ouro, participou do Concerto da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro ( 2001 e 2004 ) executando a Suíte Retratos ( Radamés Gnatalli ). Atua, também, como produtor e diretor musical, tendo como alguns trabalhos a citar : A nova cara do velho Choro ( CD e shows – 1997/2000 ), Destroçando a macaxeira ( CD - 1997 ), Dois de Ouro 18 anos ( show - 1999 ), 25 anos do Clube do Choro de Brasília ( show - 2002 ), Alunos da Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello ( 2002/03 ), entre outros, A Música de Hamilton de Holanda ( CD –2004 ), Pintando o sete – Rogério Caetano ( CD – 2004 ) Participou do primeiro CD solo de Hamilton de Holanda, lançado em 2002 pela gravadora Velas. Em 2003, César voltou à França para realizar turnê com Hamilton de Holanda, realizando shows em diversas casas de espetáculos e teatros: Clube do Choro de Paris, Teatro La Vieille Grille, Jazz Club “Baiser Salé”, Jazz Club “ Sattelite café”.
Instrumentista (violonista). Compositor. Jornalista. Ator. Diretor teatral. Filho do ator e diretor teatral Luis de Lima. Estudou violão com Lourenço Baeta, Billy Teixeira e Horondino Silva (Dino), com quem se especializou no violão de 7 cordas. Percussionista autodidata. Em 1974, iniciou sua carreira de ator profissional, tendo participado das seguintes novelas de televisão: "Bravo", de Janete Clair (1975), "Os gigantes", de Lauro César Muniz (1980), "As três Marias", de Walter Negrão (1981), "Partido alto" de Aguinaldo Silva e Glória Perez (1984), e "Carmem", de Glória Perez (1988). Em 1980, recebeu indicação para o Prêmio Mambembe Revelação, por sua atuação, ao lado de Fernanda Montenegro e Fernando Torres, em "Assunto de família", peça teatral de autoria de Domingos de Oliveira com direção de Paulo José. Três anos depois, participou da montagem de "Os meninos da Rua Paulo", adaptação de Cláudio Botelho do original de Ferénc Molnár. Atuou como assistente de direção teatral, ao lado de Luís de Lima, em "Espetáculo Ionesco", textos do dramaturgo romeno (1982), "Larga do meu pé", de Georges Feydeau (1985), "Machado em cena", textos de Machado de Assis (espetáculo que inaugurou o Teatro II do Centro Cultural Banco do Brasil, RJ, em 1989), "A lição", de Ionesco (Teatro II do CCBB, 1991), e "O reformador do mundo", de Thomas Bernhard (Teatro II do CCBB, 1994), entre outras.
Iniciou sua carreira musical freqüentando rodas de samba e choro no Rio de Janeiro. Apresentou-se em bares e casas noturnas cariocas como o Sobrenatural de Santa Teresa, Encontros Cariocas (ao lado de Noca da Portela) e Casa da Mãe Joana, entre outros. Acompanhou sambistas como Ivone Lara, Beth Carvalho, Martinho da Vila, Elton Medeiros, Wilson Moreira, Nei Lopes, Elza Soares, Moacyr Luz, Walter Alfaiate, Nelson Sargento, Délcio Carvalho, Wilson das Neves, Bezerra da Silva e Monarco. Atuou também na área do choro, ao lado de Pedro Amorim, Henrique Cazes, Dirceu Leite, Eduardo Neves, Rui Alvim e Alexandre Romanazzi, entre outros. É autor das músicas "Joãozinho na Gafieira", gravada pelo grupo Rabo de Lagartixa, e "Esquisito", gravada por Heitor dos Prazeres Filho. A partir de 1993, começou a se apresentar no bloco carnavalesco Simpatia é Quase Amor (Ipanema, RJ), atuando também como um de seus organizadores. Desfila no Império Serrano e no Paraíso do Tuiuti, apresentando-se com o violão 7 cordas. Em 1994, escreveu os arranjos da trilha sonora de "Você não passa de uma mulher", musical encenado nos teatros Cândido Mendes e João Theotônio, no Rio de Janeiro..Em 1996 participou, como instrumentista, diretor musical e diretor geral, do espetáculo "Rio que sempre riu", encenado no Teatro II do CCBB (RJ). Ainda nesse ano, publicou pela Mauad o livro "Um vento sagrado", escrito em parceria com Muniz Sodré. Também em 1996, recebeu o título de Mestre em Comunicação e Cultura, apresentando à Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro dissertação intitulada "Elementos da música ritual afro-brasileira". No ano seguinte, ingressou no curso de doutorado da mesma instituição. Sua tese intitula-se "O choro carioca: uma identidade cultural mestiça". Foi responsável pela direção musical de "Noel, feitiço da Vila", montado no teatro Laura Alvim (RJ) em 1998 e no Teatro Hilton (SP) em 2000. É autor de diversos artigos sobre música popular brasileira publicados em revistas especializadas.
Paulo Roberto Pereira Araújo* 29/09/1958 Rio de Janeiro, RJ, Brasil.Instrumentista, arranjador, produtor musical.
Formação
O avô paterno de Paulão 7 Cordas era clarinetista e mestre de banda e a ele estão ligadas as memórias musicais mais antigas de seu neto. “Exatamente as aulas de música dadas pelo meu avô em sua casa. Sempre que ia passar férias com ele, o que acontecia todos os anos, ficava encantado com todo aquele movimento.”
Foi com o avô que, numa dessas férias, Paulão começou a aprender música e, como bom mestre de banda, ele primeiramente deu ao neto noções de teoria musical.
Os métodos utilizados, então, foram os de Pascoal Bona – “Método Completo para Divisão Musical” (Editora Irmãos Vitale) -, "Teoria Elementar da Música" (Editora Ricordi), de Oswaldo Lacerda, e "Manual de Harmonia" (Edição do Autor), de Paulo Silva.
Porém, mais do que os livros, o que ficou de útil e agradável deste aprendizado para Paulão 7 Cordas foi “fazer música com outras pessoas.”
Decisivo mesmo em sua formação musical foi seu professor de violão, José David Alves.
No entanto, grande parte desta formação se deu de forma autodidata. “Tive, com meu avô, só aulas de teoria, e só tive um professor de violão; fui aprendendo muita coisa depois que me profissionalizei.”
“Sou um músico que sempre tocou samba e choro.Sendo assim, aprendi muita coisa com Nelson Cavaquinho, Mauro Duarte, Elton Medeiros, e com os violonistas Dino Sete Cordas, Hélio Capucci, Arlindo Cachimbo, Damázio e Hilton Magno.” Estes são os músicos que foram importantes para o músico que Paulão 7 Cordas é hoje.
Professor
Paulão 7 Cordas não dá aulas regularmente. No entanto, “sou bastante procurado por jovens que querem conhecer o violão de samba e, a partir disso, dou algumas aulas.” “Normalmente, são alunos já tocando bem, mas que têm por base o violão de concerto e desejam tocar samba e choro fazendo harmonizações e baixarias, que é o termo que se usa para o contraponto no violão de choro e, também, de samba.”
Como se pode perceber, a estes alunos Paulão dá aulas de violão de 7 cordas.
O método de ensino de Paulão é “uma mistura de coisas”. “Como sou procurado na maioria das vezes por pessoas de boa base, sentamos, tocamos,ouvimos violonistas importantes e trabalhamos um repertório.”
A estes alunos, Paulão 7 Cordas costuma indicar o “Novo Método de Violão - Opus 59” e "25 Estudos Melódicos e Progressivos" (Ed. Irmãos Vitale), ambos de Matteo Carcassi.
Instrumentista
Paulão 7 Cordas toca violões de seis e de sete cordas. Apesar dos inúmeros compromissos profissionais, o violonista procura manter uma rotina diária de quatro horas de estudos.
Preferencialmente na parte da manhã, “faço um pouco de escalas e arpejos e toco peças que me ajudem a resolver as dificuldades do instrumento.”
A característica principal de seu estilo como instrumentista foi sendo determinada pelo tipo de trabalho que Paulão 7 Cordas desenvolve. “Procuro sempre manter uma grande sintonia com quem estou tocando, já que sou mais acompanhador do que solista.”
Paulão não se considera “um grande improvisador” e pensa que sua assinatura musical seja “fazer boas harmonias e tocar com simplicidade.”
Como instrumentista, as influências mais importantes para Paulão vêm de Dino Sete Cordas e Meira, especialmente no trabalho de ambos nos dois primeiros discos de Cartola, lançados em 1974 e 1976 pela gravadora paulistana Marcus Pereira, com o nome do compositor como título.
Arranjador
Paulão 7 Cordas escreve arranjos para pequenos grupos. Entre seus arranjos, escolhe como mais representativos os escritos para os discos de Tantinho da Mangueira – “Tantinho, Memória Em Verde E Rosa” (Produção Independente, CD duplo, 2006); Wilson Moreira – “Entidades I” (Selo Rádio MEC/Rob Digital, CD/2002), disco também produzido por Paulão; e “O Samba É Minha Nobreza” (Biscoito Fino, CD/2002), que reúne diversos intérpretes e instrumentistas.
Paulão considera que a característica principal de seus arranjos seja o fato de que trabalha muito a percussão junto às harmonias.
Os maestros Ivan Paulo, o Carioca e Rildo Hora são as maiores influências de Paulão 7 Cordas como arranjador:
Carreira
Para Paulão 7 Cordas as principais fases de sua carreira musical são “a década de 1980 para gravações como violonista, e a atual como produtor.” Entre essas duas fases, a mudança natural que vem acontecendo é o fato de que, “na primeira, eu gravei muitos discos; nesta fase atual, tenho atuado em estúdio mais como produtor.”
Como gravações mais representativas de cada uma destas fases, Paulão aponta, na primeira fase, o disco “Jeito Moleque” (RCA, LP/1988, CD/1996), de Zeca Pagodinho e, na segunda, o disco “Tudo Azul” (EMI, CD/2000), da Velha Guarda da Portela, do qual é o arranjador. (n. e.: no site http://www.discosdobrasil.com.br/ estão catalogadas 485 músicas, em 58 discos, com arranjos de Paulão 7 Cordas).
“No maestro Ivan, a eficiência para resolver os problemas de harmonia e sua condução das gravações de estúdio. Do maestro Rildo observo muito a originalidade e o uso de formações camerísticas junto com as percussões de samba.”
Paulão “gostaria de ter participado da gravação da suíte‘Retratos’, de Radamés Gnattali e Camerata Carioca” (“Tributo A Jacob do Bandolim”, WEA, LP/1979, CD/1994).
A suíte “Retratos”, de Radamés Gnattali, é a composição que Paulão gostaria de ter feito, assim como são também de Radamés os arranjos que gostaria de ter assinado.
Como comentário final, Paulão 7 Cordas diz: “Gosto de música instrumental brasileira.”
Rogério Caetano de Almeida* 26/10/1977 Goiânia, GO, Brasil.Instrumentista, arranjador, compositor.
Formação
O avô materno de Rogério Caetano tocava pé-de-bode (sanfona de oito baixos). O avô paterno era violeiro da cidade de Goiás, “catireiro” - termo relativo à catira ou cateretê, dança rural comum em Goiás, Minas Gerais e Sul do Brasil. Os pais, apesar de não tocarem nenhum instrumento, “sempre tiveram uma ligação muito grande com a música”. “Minha lembrança mais antiga é uma música cantada pelo Rolando Boldrin, de Jacaré (Antônio da Silva Torres), chamada ‘Goianinha’ (“Jacaré – Choro Frevado”, Funarte/ Atração Fonográfica/ Instituto Itaú Cultural, LP/1985, CD/1998), que minha mãe punha pra eu ouvir na hora de dormir.”
Não demorou para os pais perceberem a aptidão especial para a música quando, com menos de cinco anos de idade, Rogério começou a “tirar umas músicas de ouvido no violão lá de casa. Como o violão era muito grande para mim, meu pai falou que ia me dar um ‘violãozinho’ e comprou um cavaquinho. Foi meu primeiro instrumento”.
O primeiro professor foi Enéias Áquila, “grande músico de Goiânia, cavaquinista e baterista, mestre de muita gente de lá. Eu era muito novinho. Tinha seis anos de idade. Só lembro que tirava as músicas de ouvido, mostrava pro meu professor e ele resolvia as minhas dúvidas."
De tudo o que Rogério Caetano aprendeu ficou a certeza: “Além do treinamento do ouvido, de tirar as músicas sozinho, fator importantíssimo na minha carreira, o que mais valeu para mim foi a convivência com o choro e o samba, dois gêneros brasileiros que se tornaram minha principal referência na música”.
Houve alguém decisivo em sua formação musical: Nonato Mendes, baixista. “Ele abriu minha cabeça, tirou vários mitos, me mostrou outras informações da música mundial, de maneira geral. Ele foi decisivo na minha formação e na minha maneira atual de tocar e de enxergar a música.”
Rogério foi autodidata apenas no início.
“Aprendi a tocar violão de sete cordas sozinho, tirando as gravações de grandes como Dino Sete Cordas, Raphael Rabello e Valdir Silva. Eu tocava tudo intuitivamente, sem muita consciência. Só depois fui estudar harmonia, entender o que eu tocava. Tive acesso a informações características do jazz, de samba e choro, e desenvolvi minha própria maneira de tocar violão de sete cordas. Com a fusão de todos esses elementos, consegui desenvolver uma maneira de tocar. Isso foi sozinho, eu não sei explicar.”
Entre os músicos que Rogério Caetano considera os mais importantes para sua formação estão Nonato Mendes e outros mestres que lhe apresentaram o universo da música brasileira:
“O maestro Geraldo Amaral, que me ensinou leitura musical; Alencar 7 Cordas, que foi meu professor de harmonia; Fernando César e Hamilton de Holanda, grandes irmãos com quem aprendi muito tocando no grupo Dois de Ouro (1998-2002); e Daniel Santiago – ele, o Hamilton de Holanda e eu formamos o Brasília Brasil (n.e.: trio que se apresentou em várias capitais brasileiras e, também, nos Estados Unidos e Europa, em 2003; tem um disco – “Brasília Brasil – Abre Alas” [Caravelas, CD/2001]). Com eles aprendi a ter maturidade tocando, a me comportar como artista nas gravações, em shows, nos ensaios... Eles são grandes irmãos”.
Professor
Rogério Caetano foi professor da Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello e da Escola de Música de Brasília. Hoje, dá aulas particulares. Os alunos que mais o procuram são “em geral adultos, acima dos 20 anos”, profissionais ou em nível mais avançado do estudo da música.
Rogério ensina sete cordas, harmonia e improvisação. “Eu procuro passar minha experiência de uma forma bem prática, nós dois com o violão na mão, tocando. Mostro para o aluno o lugar onde as baixarias costumam acontecer, como elas podem ser feitas e executadas; estudamos isso no repertório, em todas as tonalidades e em todo o braço do instrumento.”
Rogério recomenda outras fontes em que também aprendeu: Almir Chediak, “Harmonia & Improvisação” (I e II, Lumiar Editora, 1986) e Luciano Alves, “Escalas para improvisação” (Irmãos Vitale, 2ª ed./1997). E, para ser lançado, o “Método Alencar 7 Cordas de Harmonia”, sobre árvores harmônicas.
Instrumentista
“Esse eu posso dizer que domino, sem falsa modéstia.” Assim Rogério Caetano fala sobre seu instrumento, o violão de 7 cordas. Para acompanhar, prefere as cordas de aço; para solo, as de náilon.
Para estudar, “eu pego o violão e fico tocando, qualquer hora é hora. Quando vejo, passei o dia tocando”.
“Tenho o violão como um companheiro muito próximo. Fico com o violão o dia inteiro se puder. Não divido tempo de estudo. Costumo fazer sempre exercícios de técnica de mão direita e escalas para aquecer, depois pego o violão e fico tocando. Às vezes estudo ouvindo música, acompanhando o CD, ou tocando sozinho.”
Rogério Caetano considera que seu jeito de tocar é definido principalmente pelo fraseado, pelo uso de escalas que não são muito utilizadas no universo das sete cordas, “mas com a linguagem brasileira. Procuro fazer fraseologicamente ritmos diferentes dos que já foram feitos”.
A maneira de improvisar “é muito em cima do samba e choro, utilizando os conhecimentos do jazz, as escalas simétricas, as dominantes diminutas, escalas diminutas, escalas de tom inteiro, escalas alteradas, pentatônicas. Mas é muito natural, a mão vai antes da cabeça”.
Sua assinatura musical “é meu jeito de tocar, a fraseologia, o meu som. A pegada forte, essa forma de ter que tocar pra fora, tirando bastante som”.
“Na adolescência, eu tirava tudo o que eles gravaram e tocava igualzinho. As gravações do Dino mais importantes pra mim foram as realizadas com o Regional do Canhoto, formado pelo trio de cordas Dino Sete Cordas, Meira e Canhoto; e as realizadas pelo Conjunto Época de Ouro. Do Valdir são as que ele fez com Roberto Ribeiro. E o Raphael acho que tudo, ele era genial, ele foi minha maior influência, com certeza.”
Compositor
Rogério Caetano compõe desde os “14, 15 anos, aproximadamente. Quando eu já tinha uma certa maturidade harmônica. Já me arriscava mais.” Gravou o primeiro CD como participante do grupo Brasília Brasil ("Abre Alas", Caravelas, 2001); o segundo, solo, ("Pintando O Sete", Rob Digital, 2006) foi gravado entre 2003 e 2004; no terceiro – ainda a ser lançado -, o violonista se dedica a solar composições próprias ao violão de sete cordas, com as participações especiais de Hamilton de Holanda, Eduardo Neves e Leandro Braga.
O jeito de compor é natural, intuitivo. “Mas tem música que eu paro, não consigo terminar e tenho que trabalhar nela depois.” Rogério Caetano terminou o Bacharelado em Composição Musical, na Universidade de Brasília (UnB), em 2004.
“O curso foi importante para que pudesse entender melhor a maneira mais erudita de compor, com uma ciência maior. Uso a intuição, mas também paro para pensar e experimentar outras técnicas de composição.”
“Minhas composições são baseadas no universo do choro e samba, mas também experimento novas harmonias, ritmos, sem preconceito nenhum. Procuro sempre manter na música minhas idéias fraseológicas. Tenho composições feitas para violão sete cordas de aço solar, acompanhado por outros instrumentos e músicas feitas para o violão solo, violão cheio, com harmonia.”
Ele define suas composições mais características como virtuosísticas, pela forma de tocar: “Folia das cinco” (gravada nos dois primeiros discos), “Correr com medo” e “Agora é a hora” (em "Pintando O Sete").
Quanto às mais líricas, cita três valsas para violão solo: “Milena” e “Nosso amor” (em "Pintando O Sete"), dedicadas à sua mulher, e “Fraterna”, para o violonista Fernando César.
Dos compositores que mais admira cita Garoto, “pela modernidade de sua obra”; Hélio Delmiro e Marco Pereira, “pelo destaque melódico e harmônico que eles dão a suas obras”; e Raphael Rabello, “pela desenvoltura no instrumento e a utilização de todo o braço do violão em suas composições”.
Fã confesso de Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Nelson Cavaquinho, Cartola, Tom Jobim, Luiz Gonzaga, Dorival Caymmi e Chico Buarque, sua lista inclui ainda Beethoven, Chopin, Debussy, Samuel Barber e John Williams, entre muitos outros.
Arranjador
Autor de arranjos para formação de conjuntos de choro e de samba, para trio e para orquestra de violões, Rogério Caetano os elabora “para somar à música, para ela ficar ainda mais bonita e, não, para competir com o original”. Entre eles, destaca o que fez para a Orquestra de Violões de Brasília, de "Valsa para o Guinga", de Milena Tibúrcio (CD "À Moda Brasileira, Tratore, 2003); e dois arranjos de samba para o CD de Juliana Diniz (“Juliana Diniz”, Universal Music, 2005) além dos que fez para grupo de choro para o disco "Piquenique – Choros e Valsas" (Produção Independente, 2005), com composições de João Tomé.
"Fiz arranjos para umas músicas de Milena, para o CD dela ("Milena Tibúrcio, Produção Independente, 2005) e para um curta de animação chamado "Os rins da ovelha", (n.e: baseado em conto homônimo, de João Monteiro) dirigido por Betse de Paula, em 2003.”
“Admiro como eles transitam nesse universo. Fazem até parecer fácil.”
Carreira
Para Rogério Caetano, estas são as principais fases de sua carreira: “A formação básica, o amadurecimento como instrumentista (na adolescência) e a fase atual, atingindo cada vez mais pessoas, tocando pra muita gente importante, pro povo brasileiro, pras pessoas de outro país. Isso é o principal, cada vez atingir mais pessoas com minha música”.
Hoje, se percebe “mais maduro, seguro, mais certeiro”, enquanto se dedica à carreira de violonista solo, sem deixar no entanto de acompanhar outros músicos.
Quanto às gravações mais representativas, Rogério Caetano destaca o CD “Abre Alas” (Caravelas, 2001), do trio Brasília Brasil, na fase inicial. Das gravações atuais, como solista, destaca “Pintando O Sete” (Rob Digital, CD/2006), o disco que, no momento da edição deste verbete, está gravando, e a participação no projeto “Violões do Brasil”, organizado por Myriam Taubkin, que redundou em livro, CD e DVD, lançados em 2005 ( http://www.projetomemoriabrasileira.com.br/).
Como músico acompanhante aponta “Tantinho, Memória Em Verde E Rosa”, de Tantinho da Mangueira (Devanir Ferreira) (Produção Independente, CD/2006), “Acústico MTV Zeca Pagodinho 2 – Gafieira” (Universal Music, CD/2006), “Acariocando” (EMI, CD/2006), de Ivan Lins, e os CDs "Roda De Samba" e "Encontros Musicais", da trilogia "Inédito E Eterno" (Selo Rádio MEC, 2007), lançada pelo compositor Délcio Carvalho.
Preferências
Rogério Caetano gosta de tocar tudo, principalmente música brasileira: forró, choro, samba, valsa, frevo, música caipira. “E também bolero.” Ouve também de tudo.
De seresta, Nelson Gonçalves, especialmente a música “Mágoas de caboclo”, de Leonel Azevedo e J. Cascata, e o CD "Carinhoso – As Mais Belas Canções Românticas Brasileiras" (Polygram/Philips, 1993), de Jair Rodrigues.
Do samba, Roberto Ribeiro, João Nogueira, Clara Nunes, Beth Carvalho, Fundo de Quintal e Zeca Pagodinho.
De música caipira, Rolando Boldrin, Tião Carreiro e Pardinho, e Zé Mulato e Cassiano.
E ouve “muito” os CDs de Raphael Rabello, especialmente a música “Pedra do Leme” – de Toquinho e Raphael Rabello, gravada em “Cry, My Guitar” (GSP Recordings, CD/2005), e “Rafael Rabello” (Visom Digital, LP/1988; Acari Records, CD/2005); os discos de Hélio Delmiro, e a música “Violão”, de Sueli Costa e Paulo César Pinheiro, por Fátima Guedes (“Pra Bom Entendedor”, Velas, CD/1993). E Luiz Gonzaga - "50 Anos De Chão" (RCA/BMG, LP/1988, CD/1996), caixa com três discos -, Nelson Cavaquinho, Cartola...
Rogério Caetano ouve, repetidamente, as músicas “Adágio para cordas”, de Samuel Barber, “Sonata ao luar”, de L. V. Beethoven, “Emotiva” e “Chama”, de Hélio Delmiro, “Flor das águas”, de Marco Pereira, e “Homenagem a Chiquinho do Acordeon”, de Dominguinhos.
Sonhos não realizados:
“Queria ter gravado com três grandes nomes da música brasileira: Roberto Ribeiro, Luiz Gonzaga e Nelson Gonçalves”...
“...ter escrito o arranjo do Leandro Braga para a música ‘Saudade da Guanabara’, do CD de Aldir Blanc (“Aldir Blanc – 50 anos”, Alma Produções, 1996)”...
“... ter feito o ‘Adágio para Cordas’, de Samuel Barber”.
Maurício Lana Carrilho* 26/03/1957 Rio de Janeiro, RJ, Brasil.Instrumentista, arranjador, compositor, ensaísta.
Formação
Maurício Carrilho já nasceu com seu sobrenome inscrito na história da música brasileira por causa de seu tio, o flautista Altamiro Carrilho. Mas a ligação da família com a música vem de mais longe ainda.
"Na família de meu pai, temos conhecimento de músicos nas quatro gerações que antecederam a minha. Eram músicos de banda, em Santo Antônio de Pádua, RJ, e músicos amadores, violonistas, seresteiros, etc. Na família de minha mãe, de Guaxupé, MG, também havia um tio seresteiro. O primeiro músico da família a se profissionalizar foi o meu tio Altamiro. Meu pai, Álvaro, se profissionalizou em música só depois de se aposentar."
Portanto, não é de se estranhar que a memória musical mais remota de Maurício esteja ligada exatamente a seu tio.
"A Bandinha de Altamiro Carrilho, eu era fascinado por ela. Em 1964, com sete anos, eu comecei a me encantar pelo choro, especialmente por um LP do Altamiro chamado 'Choros Imortais' (EMI-Odeon, LP/1964, CD/1999)."
Seria natural, então, que o menino começasse a estudar música tocando flauta. Mas não foi assim.
"Comecei estudando piano, aos cinco anos. A professora era uma mala! Me repreendia sempre que eu tocava de ouvido. Fiquei traumatizado com esse instrumento. Com nove anos, tive minha primeira aula de violão com Dino (n.e.: Horondino José da Silva, o Dino Sete Cordas). Um ano mais tarde, fui estudar com o Meira (n.e.: Jayme Florence, o Meira), com quem permaneci até os 15 anos, mais ou menos. Um dia, ele me disse que não precisava mais ter aulas com ele, que eu devia arranjar uns alunos, e que eu estava convidado a ir à sua casa, tocar com ele, sempre que tivesse vontade."
"Mais tarde, já profissional, eu estudei violão clássico com João Pedro Borges e harmonia e arranjo com Ian Guest. Cursei, sem me formar, medicina na UEG (UERJ), composição na UFRJ e licenciatura em música na UNIRIO."
O método preferido de seus dois primeiros professores de violão – Dino Sete Cordas e Meira – já nasce com o músico e deve ser, apenas, aprimorado.
"Com Dino eu não usava nenhum livro. Ele ensinava umas seqüências de acordes que me foram bem úteis pra tocar de ouvido. Meira usava um método de violão que se chamava 'La Escuela de la Guitarra Moderna', de Mario Arenas (7 livros, Editora Ricordi). E na maior parte da aula, que durava três ou quatro horas, tocávamos de ouvido."
De seu aprendizado, o que ficou para Maurício de mais útil e agradável?
"Aprendi a ler música com Meira, porém o treinamento de percepção feito por ele, em que eu aprendia melodias de ouvido e improvisava harmonias para melodias desconhecidas, talvez tenha sido o mais importante e fundamental para minha formação."
Para Maurício, "Meira no violão, no treino rítmico, harmônico, na malandragem de tocar de ouvido e, mais tarde, Radamés Gnattali, pelo aprofundamento da linguagem musical brasileira, pela música de câmera, sinfônica e pelos arranjos", foram as figuras fundamentais em sua formação musical.
O auto-didatismo teve lugar nesta formação?
"Partindo do treinamento dado por Meira e do incentivo de Radamés Gnattali eu acabei criando minhas coisas, que hoje tento passar adiante como professor."
Muitos outros músicos – profissionais ou não – com quem Maurício conviveu e convive foram e são muito importantes para o músico que ele é hoje.
Com Raphael Rabello e Luciana Rabello percebi que sabia tocar choro. Com João de Aquino aprendi que, ritmicamente, eu tocava um violão diferenciado. Com Pedro Amorim aprendi a tocar em duo. Com Paulo Sérgio Santos aprendi a ensaiar e preparar, cameristicamente, uma peça. Com Arismar do Espírito Santo aprendi a me arriscar, improvisando. Com Paulo César Pinheiro aprendi que teria a responsabilidade, como violonista acompanhador, de representar a escola de Meira e Baden Powell, e o dever de compor. Com Nailor Proveta aprendi a ver nossa música como uma linguagem musical. Com Toninho Carrasqueira eu compreendi que a música, ao contrário dos seres humanos, tem alma. Com Paulo Aragão eu aprendo todo dia. Tudo que deixei de estudar, por negligência ou falta de oportunidade, ele estudou e estuda. Embora seja meu aluno em algumas matérias, é meu principal conselheiro musical nas horas mais difíceis. Com meu pai aprendi a não me sentir nunca melhor ou pior do que ninguém."
Professor
Maurício Carrilho ensina música regularmente para alunos iniciantes, avançados e, também, para profissionais. Ensina "violão, especialmente acompanhamento de música brasileira, e composição de choro."
Seu método de ensino vem sendo desenvolvido ao longo dos anos de experiência com a Escola Portátil de Música.
"Estamos sistematizando, na EPM, o conhecimento da linguagem do choro. Criamos nosso próprio material didático, baseado no conteúdo dessa linguagem, transmitido de geração a geração, por tradição oral, durante mais de 150 anos."
Os livros e métodos que Maurício recomenda aos seus alunos são:
"Para estudo da história do choro os livros de Ary Vasconcellos – 'Carinhoso etc. História e inventário do choro' (1984), 'Raízes da Música Popular Brasileira (1977), 'Panorama da Música Popular Brasileira na Belle Époque' (1977) - e de Humberto Franceschi – 'A Casa Edison e seu Tempo' (Sarapuí, Biscoito Fino, 2002) -, além do fabuloso 'O Choro', de Alexandre Gonçalves Pinto (Funarte, 1978). Para repertório do choro os 'Cadernos de Choro', da Acari Records, e as apostilas da Escola Portátil de Música."
Como professor e, certamente, seguindo seus mestres, Maurício Carrilho diz: "Tento passar minha experiência de músico e compositor, usando o mínimo possível de regras, teorias, e o máximo de percepção musical."
Instrumentista
Maurício Carrilho toca violões de seis e sete cordas e embora não aponte nenhuma preferência, "nos últimos 13 anos tenho tocado violão de sete cordas." "Não tenho rotina de estudos. Há períodos em que fico o dia todo tocando e semanas em que nem encosto a mão no instrumento."
Quando estuda, Maurício prefere fazê-lo de manhã, horário em que "faço tudo melhor" e "normalmente, procuro tocar melodias tecnicamente difíceis. Acho mais estimulante do que fazer escalas."
Segundo Maurício, a característica principal de seu estilo como instrumentista reside no fato de ser "profundamente ligado à música brasileira, rítmica e harmonicamente; isto talvez me diferencie de alguns colegas."
A música brasileira é também, para ele, sua bússola na hora de improvisar.
"Uma vez eu ouvi Nailor Proveta dizer a um aluno: '- você quer improvisar? Então trate de estudar pra tocar de memória 200 choros. Depois disso você vai ter elementos para improvisar'. Acho que cumpro esse pré-requisito."
"Qualquer gravação desses músicos, ou minha, pode servir de exemplo destas influências."
Compositor
Logo em sua primeira composição, Maurício Carrilho teve um parceiro e tanto. "A primeira melodia que compus eu tinha cinco anos. O Altamiro completou e gravou em 1967, quando eu completei 10 anos. A música é um maxixe, 'Toca bandinha', e o LP é 'Altamiro Carrilho e sua Bandinha no Largo da Matriz' (Copacabana, LP/1967)."
Maurício compõe regularmente e "na última vez que contei, tinha umas 750 músicas compostas, 90% instrumentais. Gravadas umas 80."
"Um dia eu descobri que poderia compor quando quisesse. Em 2005, me propus a compor todos os dias do ano ao menos uma música completa com, no mínimo, duas partes de 16 compassos. Do dia 1º de janeiro a 31 de dezembro foram 408 músicas. Atualmente, tenho composto peças de música de câmera e orquestrais que me estão sendo encomendadas por músicos, produtores, regentes, etc."
Como característica marcante de suas composições, Maurício aponta a predominância de uma determinada linguagem musical.
"A maior parte da música instrumental que fiz se localiza no universo do choro. Tenho procurado, com o meu trabalho, ampliar os horizontes dos gêneros que integram essa linguagem musical, tanto no aspecto rítmico e harmônico, quanto no que diz respeito à instrumentação. O grande número de choros que compus funcionam, também, como uma espécie de banco de idéias temáticas do qual me utilizo quando vou compor para orquestra e formações camerísticas."
Entre suas inúmeras composições, as que, para Maurício Carrilho, mais representam sua obra, são "no ambiente do choro, a série 'Choro Ímpar' (Acari Records, CD/2007), pelo que traz de novidade no uso de compassos até então incomuns no choro (3/4, 5/4, 7/8, 9/8, 11/8). Na música de concerto, a 'Suíte para Violão de Sete Cordas e Orquestra', primeira peça de concerto escrita para violão de sete cordas e orquestra sinfônica."
A influência principal que Maurício Carrilho identifica em sua faceta de compositor vem de Radamés Gnattali, "pela proximidade que tivemos quando eu começava minha carreira, ele representou sempre uma referência pra mim."
Arranjador
Maurício Carrilho faz arranjos para instrumentos solo, pequenos grupos e orquestras e tem dificuldade para apontar, entre seus arranjos, aqueles que seriam os mais representativos. "Em determinada época eu cheguei a fazer mais de 250 arranjos por ano. É difícil eleger os mais representativos. Talvez os arranjos para a Camerata Carioca ("Tocar", Polygram/Philips/Universal, LP/1983, CD/2001), O Trio ("O Trio", SACI, CD/1993) e para o grupo com o qual trabalho atualmente, o Sexteto Maurício Carrilho ("Maurício Carrilho – Sexteto + 2", Acari Records, CD/2004, e “Choro Ímpar”, Acari Records, CD/2007), me despertem certa predileção." (n.e.: o site http://www.discosdobrasil.com.br/ tem, catalogados, 860 arranjos escritos por Maurício em 100 discos.)
Maurício não aponta nenhuma característica particular em seus arranjos e, quanto às influências que recebeu como arranjador, "acho que aprendi muito com diversos arranjadores. Em algumas épocas tive preferências que hoje já não me encantam tanto. Mas se tivesse que citar três do passado e três contemporâneos, eu não teria dúvida: Pixinguinha, Radamés Gnattali e Moacir Santos; Nailor Proveta, Cristóvão Bastos e Paulo Aragão."
Carreira
Maurício Carrilho divide sua carreira profissional em três fases: "Acho que existiram três fases bem distintas. A primeira em que atuava como músico (1977-1978). A segunda na qual, além de músico, passei a trabalhar como arranjador e produtor (1979-1999). A terceira, em que o compositor foi se tornando pouco a pouco mais importante e que coincide com uma maior atividade como professor também (2000-2008)."
Sobre as mudanças que aconteceram ao longo desta trajetória, "mudou a experiência. Alguns parceiros mudaram, outros permaneceram. A profundidade do conhecimento da música que faço, ensino, estudo e ouço também mudou. Eu nunca deixei de fazer nada em música. As atividades foram se diversificando de acordo com minhas necessidades e interesses. Uma coisa eu nunca deixei de fazer: ter um trabalho de música instrumental em atividade; desde Os Carioquinhas, passando pela Camerata Carioca, O Trio, até o sexteto que criei para divulgar meu trabalho de compositor. Isso sempre me ajudou como arranjador, produtor e músico nos trabalhos realizados com cantores."
Como não poderia deixar de ser, as gravações que Maurício indica como representativas de cada uma destas fases são muitas.
"Os discos gravados com os grupos citados, os trabalhos realizados na gravadora Acari Records e as gravações com importantes cantores e compositores de nossa música, como Nara Leão - que me encomendou os primeiros arranjos que fiz como profissional (n. e.: "E Que Tudo Mais Vá Pro Inferno", Philips/Phonogram, LP/1978, CD/2002) -, Elizeth Cardoso, Cristina Buarque, Teca Calazans, Paulo César Pinheiro - meu parceiro mais constante -, Chico Buarque e muitos outros."
Preferências
Quando está sozinho, o que Maurício Carrilho toca para si mesmo? "Não gosto de tocar nem de falar sozinho. Sempre gostei de tocar em grupo ou, no mínimo, em duo."
Para ouvir, a "lista é imensa. Gosto de ouvir música clássica, gravações antigas de choro e samba, os clássicos do jazz, e os trabalhos que temos realizado com repertório dos mestres do choro." (n.e.: "Princípios Do Choro", série com 15 CDs, Acari Records/Biscoito Fino, 2002; "Joaquim Callado – O Pai Dos Chorões", caixa com 5 CDs, Acari Records/Arte_Fato Produto Cultural, 2004; "Choro Carioca – Música Do Brasil”, caixa com 9 CDs, Acari Records, 2006).
Entre tantos, há discos que Maurício ouça repetidamente?
"Durante muito tempo fui ouvinte obsessivo de alguns discos de Altamiro Carrilho, 'Choros Imortais' (EMI-Odeon, LP/1964, CD/1999); Jacob do Bandolim, 'Vibrações' (RCA, LP/1967, CD/1989); Baden Powell (todos os discos feitos antes de seu retorno ao Brasil), Astor Piazzolla, Duke Ellington, Bill Evans. Ultimamente, só fiquei ouvindo repetidamente os discos de Léa Freire, 'Cartas Brasileiras' (Maritaca, CD/2006); Nailor Proveta, 'Tocando Para O Interior' (Núcleo Contemporâneo, CD/2007) e o do Quarteto Maogani, 'Impressão De Choro' (Joaninha Produções/Biscoito Fino, CD/2008)."
De quais discos Maurício gostaria de ter participado? "Acho que já participei de discos demais, chega!!!"
Quais composições gostaria de ter feito? "Adoro ouvir a obra de vários compositores mas, sinceramente, não gostaria de ter sido o compositor delas."
E que arranjos queria ter assinado? "Todos os arranjos que fiz tiveram uma grande contribuição dos arranjadores que ouvi e com os quais aprendi. Isso é mais do que suficiente pra que me sinta feliz e realizado."
Intimado a fazer mais algum comentário sobre seu gosto musical...
"Depois dessa maratona de respostas eu me abstenho de qualquer outro comentário."
Otávio Littleton da Rocha Vianna*(China) 16/05/1888 Rio de Janeiro, RJ, Brasil.† 27/08/1927 Rio de Janeiro, RJ, Brasil.Instrumentista.
O pai de China era flautista amador, chorão, colecionador de partituras dos primórdios do choro, e organizador de saraus freqüentes em sua casa, dos quais participavam músicos importantes do Rio de Janeiro, como Quincas Laranjeira, Irineu de Almeida (Irineu Batina) e Candinho Trombone. A casa de Seu Alfredo Vianna servia, também, de abrigo a amigos músicos de passagem pelo Rio de Janeiro, ou com dificuldades para conseguir moradia. A tal ponto que ficou conhecida como “Pensão Vianna”.
Além disso, Seu Alfredo, entre outras virtudes, foi o pai de Pixinguinha. Foi nesse ambiente que China nasceu e cresceu, num subúrbio do Rio de Janeiro, aprendendo com a música que estava no ar e também com pelo menos um professor “de verdade”, chamado Borges Leitão, seu vizinho de rua.
China sempre foi, em sua curta vida, um músico de grupo.
Juntamente com Tute, China está entre os pioneiros do violão de sete cordas que, segundo alguns, chegou ao Rio de Janeiro com imigrantes russos. Como a sétima corda não era fabricada aqui, usava-se uma corda de violoncelo –costume que perdurou durante décadas.
"Há uma foto de 1910 em que China empunha o instrumento. O que não quer dizer que ele tenha sido de fato o primeiro. Afinal, ele e Tute eram da mesma geração e tocavam nos mesmos grupos". ( Luís Filipe Lima) Coube aos dois, portanto, dar início à técnica da “baixaria”, permitindo aos grupos de choro, sem bombardino, nem contrabaixo acústico, nem piano, que fizessem os contracantos na parte grave, liberando os violões de acompanhamento para construir harmonias completas.
China não chegou a ser um compositor de renome. Mesmo as músicas que escreveu junto com o irmão famoso, Pixinguinha, não costumam fazer parte do repertório dos músicos de hoje.
Suas obras são peças típicas do início do século XX, como choros, valsas, modinhas e schottisches estilizados pelo tempero da música brasileira que começava a se formar.
Apenas uma delas conseguiu alguma projeção: “Meu passarinho”, que teve gravação de Os Oito Batutas (conjunto criado por Pixinguinha), e que, mais recentemente, foi regravada por Henrique Cazes / Beto Cazes, Fernando Moura, e por Zé da Velha / Silvério Pontes. São conhecidas cerca de 16 composições de China.
A carreira de China pode ser descrita pelos grupos dos quais fez parte:
Choro Carioca, criado por volta de 1911, em que tocava violão ao lado dos seus irmãos Pixinguinha (flauta, com apenas 14 anos de idade), Leo (violão), e Henrique (cavaquinho), além de Bomfiglio de Oliveira (trompete) e Irineu de Almeida (bombardino), responsável por alguns dos primeiros registros gravados dos contracantos graves no choro Os Oito Batutas, formado em 1919, primeiro grupo importante criado por Pixinguinha, contando ainda, na formação original, com Donga, China, Nelson Alves, José A. de Lima, J. Thomaz; mais adiante, juntaram-se ao grupo Josué Barros ao violão, e J. Ribas ao piano. Os Oito Batutas se destacaram rapidamente pelo estilo novo que impunham à execução de músicas brasileiras, tendo excursionando por diversos estados, pela Europa e pela Argentina.
China não tem discografia própria. Ele pode ser ouvido em dois discos da série Memórias Musicais, lançada pela gravadora Biscoito Fino e pelo Instituto Moreira Sales: "Os Oito Batutas" (2002), no CD 4, Pixinguinha Volume 1 "Conjunto Choro Carioca e Grupo Carioca" (2002), no CD 2
Nascido em Passo Fundo em 1980, Yamandu começou a estudar violão aos 7 anos de idade com o pai, Algacir Costa, líder do grupo “Os Fronteiriços” e aprimorou-se com Lúcio Yanel, virtuoso argentino radicado no Brasil. Até os 15 anos, sua única escola musical era a música folclórica do Sul do Brasil, Argentina e Uruguai. Depois de ouvir Radamés Gnatalli, ele começou a procurar por outros brasileiros, tais como: Baden Powell, Tom Jobim, Raphael Rabello entre outros. Suas interpretações performáticas conseguem remodelar cada música que ele toca e revela uma profunda intimidade com seu instrumento. Todo reconhecimento que recebe é apenas um reflexo do que ele leva ao seu público, recriando a magia da música em seu toque, passando pelo seu corpo e transformando-se quase milagrosamente. Yamandu toca choro, bossa nova e tudo, mas também é um gaúcho cheio de milongas, tangos, zambas e chamamés. Um violonista e compositor que não se enquadra em nenhuma corrente musical ele é uma mistura de todos os estilos e cria interpretações de rara personalidade no seu violão de 7 cordas. Aos dezessete anos apresentou-se pela primeira vez em São Paulo no Circuito Cultural Banco do Brasil, produzido pelo Estúdio Tom Brasil, e a partir daí passou a ser reconhecido como músico revelação do violão brasileiro. Yamandu faz jus ao significado de seu belo nome “o precursor das águas”.
Shows e Prêmios Especiais
- Lançamento do 1o. DVD – Yamandu Costa Ao Vivo - 2005 - Projeto Musica do Brasil – Europa – 2005 - Homenagem a Tom Jobim – Rio Louco/Toulouse e em Paris 2005 - Projeto “La Fiesta de Bolívar” – Quito e Guayaquil/Ecuador – 2005 - Projeto “Brasil na França” 2005 – Banlieues Bleues e Opera Garnier - Projeto Natura – Homenagem a Tom Jobim – 2005 - Conserto Sala São Paulo com o Maestro Roberto Minczuk – 2005 - Lançamento do quarto cd “ El negro Del Blanco” – Biscoito Fino – 06/2004 - Prêmio Tim – Melhor instrumentista – 2004 - Lançamento do terceiro cd “ Yamandu ao Vivo” – independente –2003 - XI Festival de Música Instrumental da Bahia - 2003 - Festival de Guitarra do Chile - 2003 - Conserto Orquestra de Câmara Theatro São Pedro– Porto Alegre - 2003 - Consertos Dana – Orquestra da Ulbra - Porto Alegre – 2003 - Midem – 37th International Music Market - 2003 - Yamandu e Os irmãos Flores(Argentina)-“Ares e Pensares”Sesc/SP nov/2002 - Prêmio Caras 2002 – Revelação de 2001 - juri oficial e popular - Circuito Cultural Banco do Brasil – 2002 Turnê pelas capitais do Brasil - Festival de Verão Litoral Norte - 2002 / Estado de São Paulo - Festival de Jazz de Londrina – 2002 - 33o.Festival de inverno de Campos de Jordão – 2002 - 32o.Festival de Inverno de Campos de Jordão– 2001 - Free Jazz Festival - 2001 – Rio e São Paulo - Festival de Guitarra do Chile - 2001 - Lançamento do cd do Prêmio Visa - “Yamandú”– 03/12/2001 - Vencedor do Prêmio Visa Edição Instrumental - 2001 - Circuito Cultural Banco do Brasil –1999 - Participação - Festival de Nashville - EUA - 1998 - Troféu de Revelação de Música Instrumental do Estado do Rio Grande Sul - 25o prêmio de melhor instrumentista no Rio Grande do Sul - Turnê em Buenos Aires e Montevidéu - 1998 - Vencedor do Premio Califórnia de Uruguaiana - 1995
Discografia
2008 - Mafuá 2007 – Lida 2007 – Yamandu + Dominguinhos 2007 – Ida e Volta 2006 – Tokyo Session 2005 – Música do Brasil Vol.I (DVD) 2005 – Yamandu Costa ao Vivo (DVD) 2005 – Brasileirinho 2004 – El Negro Del Blanco (com Paulo Moura) 2003 – Yamandu ao Vivo 2001 – Yamandu (Prêmio Visa) 2000 – Dois Tempos (com Lúcio Yanel)
Rafael Baptista Rabello (Petrópolis, 31 de outubro1962 — 27 de abril1995) foi um grande violonista e compositorbrasileiro. Raphael Rabello é uma das maiores referências na história do violão brasileiro. Precocemente morto aos 32 anos, em 1995, deixou uma discografia numerosa e de grande qualidade, contando com 16 discos gravados, alguns solo e outros em duo com grandes nomes da música do Brasil. Virtuose reconhecido internacionalmente, não teve tempo de se dedicar à divulgação da sua própria obra como compositor.
Início:
Raphael Rabello nasceu em uma família musical: sua irmã Luciana Rabello se tornou conhecida com o seu cavaquinho, e seu primeiro professor de violão foi um irmão mais velho. ele também tomou lições de violão com Jaime Florence (o famoso "Meyra", que também deu aulas à Baden Powell nos anos 40). Ele passou a tocar o violão de sete cordas influenciado por Dino 7 Cordas. Ele já tocava profissionalmente em sua adolêscencia, sua primeira aparição como coadjuvante foi aos 14 anos, em uma gravação de choro pelo violonista clássico Turibio Santos. Raphael teve aulas com o lendário Dino 7 Cordas, com quem gravou um LP em 1991. Raphael, por um tempo, dedicou-se somente ao violão de sete cordas, chegando, inclusive, a adotar o nome " Raphael 7 Cordas " (o mesmo nome de seu primeiro LP). No início dos anos 80, ele participou como instrumentista em famosas gravações de samba como por exemplo: "Minha Missão", de João Nogueira. Ele desenvolveu um ritmo de samba para violão que é reproduzido por diversos violonistas de hoje em dia.[carece de fontes?] Sobre Raphael, Dino disse: “Ele não tem limitações. Técnica, velocidade, bom gosto harmonico, um artista completo.”
Revelação:
Seus anos mais produtivos foram entre 1982 e 1995. Ele foi considerado por muitos, o melhor violonista de sua geração. Raphael tocava muitos estilos distintos, mas era especializado em choro. Ele participou de concertos e gravações com famosos musicos brasileiros, tais como Tom Jobim, Ney Matogrosso, Jacques Morelenbaum e Paulo Moura, como também instrumentistas internacionais, como por exemplo Paco de Lucia.
Anos finais:
Em 1989 Raphael se envolveu em um acidente de carro e sofreu múltiplas fraturas em seu braço direito. Para a surpresa de muitos, ele recuperou-se completamente e continuou a tocar como antes. Porém, por conta deste acidente, ele teve que fazer uma transfusão de sangue, e foi tragicamente contaminado pelo vírus do HIV. Sua vida mudou completamente depois disso, ele se tornou um viciado em cocaína e álcool, passava noites inteiras usando drogas e tocando violão. Morreu de infecção generalizada em 27 de abril de 1995.
Legado:
Rabello teve 2 CD's gravados em sua homenagem e uma escola nomeada com seu nome. O último trabalho feito em sua homenagem, era o que ele se encontrava produzindo antes de sua morte: Um tributo à Lourenço da Fonseca Barbosa, conhecido por "Capiba" (1904–1997). Ele foi um dos arranjadores, também creditado como produtor, tocou grande parte do violão do disco e mesmo, cantou uma das canções. A lista de cantores convidados é realmente impressionante: Chico Buarque, Paulinho da Viola, Gal Costa, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Alceu Valença, João Bosco, e Ney Matogrosso. Alguns violonistas manifestaram suas opiniões sobre Raphael Rabello: “O melhor violonista que eu já ouvi em anos. Ele ultrapassou as limitações técnicas do violão, e sua música vinha progressivamente de sua alma, diretamente para os corações de quem o admirava.” — Paco de Lucia[2] “Raphael Rabello foi simplesmente um dos maiores violonistas que já existiu. Seu nível de introspecção no potencial do instrumento só foi alcançado, talvez, pelo grande Paco de Lucia. Ele foi ‘o’ Violonista Brasileiro de nosso tempo, na minha opinião. Sua morte, em uma idade ainda tão jovem e uma perda incrivelmente dolorosa, não apenas pelo que ele já tinha feito, e sim pelo que ele poderia vir a fazer.” — Pat Metheny[3] “Esse é o CD perdido entre a escassa discografia de Raphael Rabello. É como um sonho se tornando realidade ver esse CD realizado, um dos melhores álbuns de violão solo que eu já ouvi. Uma importante contribuição do violão brasileiro.” — Paulo Bellinati[4] “Raphael Rabello foi um dos mais notáveis violonistas de todos os tempos. A sua "pegada" era muito expressiva e confiante, com interpretações vibrantes e técnica exuberante. A contribuição dele foi essencial, deixando uma das mais ricas e memoráveis páginas na historia do violão brasileiro.” — Marco Pereira[5] “Se o violão tem se estabelecido mais uma vez como a principal voz instrumenal da música moderna brasileira, muito do crédito pode ser dado a Raphael Rabello…” — Mark Holston, Guitar Player Magazine[6] “Ele foi um incrível violonista. Eu nunca vi igual... ele foi único.” — Francis Hime, Guitar Player Magazine[7] “ Esse é um dos melhores violonistas que eu já ouvi.” — Lee Ritenour, JazzTimes Magazine “ Raphael era um amigo muito próximo. Quando eu o conheci, eu fiquei impressionada com o seu talento. Eu estava estonteada pela sua genialidade.” — Gal Costa
Discografia:
Mestre Capiba (2002) (Lançamento póstumo) Amélia Rabelo & Raphael Rabello (2001) (Lançamento póstumo) Raphael Rabello & Armandinho em Concerto (1997) Brasil Musical - Série Música Viva - Armandinho E Raphael Rabello (1996) Relendo Dilermando Reis (1994) Cry, My Guitar (Gravado em 1994, lançado postumamente) Delicatesse - Raphael Rabello e Déo Rian (1993) Dois Irmãos - Raphael Rabello e Paulo Moura (1992) Todos os Tons - Raphael Rabello (1992) Shades of Rio - Romero Lumambo e Raphael Rabello (1992) Todo o Sentimento - Raphael Rabello e Elizeth Cardoso (1991) Raphael Rabello e Dino 7 Cordas (1991) À Flor Da Pele - Ney Matogrosso e Raphael Rabello (1990) Raphael Rabello (1988) Raphael Rabello Interpreta Radamés Gnattali (1987) Raphael 7 Cordas (1982) Tributo a Garoto - Radamés Gnattali e Raphael Rabello (1982) Os Carioquinhas no Choro (1977)
Horondino José da Silva, conhecido como Dino 7 Cordas, (Rio de Janeiro, 5 de maio de 1918 — Rio de Janeiro, 27 de maio de 2006) foi um violonistabrasileiro reconhecido como maior influência do violão de 7 cordas, instrumento musical no qual desenvolveu sua linguagem e técnica. Foi também um dos maiores instrumentistas de choro. Nasceu na rua Orestes, no bairro carioca do Santo Cristo. Filho de Caetano José da Silva, fundidor do Lóide Brasileiro, e de Cacemira Augusta da Silva, conhecida pelo apelido de Filhinha. Seu registro de nascimento foi feito em agosto, motivo pelo qual em algumas obras importantes está consignada a data de 5 de agosto como sendo a de seu nascimento. Sua relação com o violão vem desde a infância. Seu pai era violonista amador, assim como outros amigos que freqüentavam a casa. Estava sempre atento ao movimento musical ao qual prestava enorme atenção. Começou a praticar inicialmente o bandolim, que abandonou pouco depois pelo violão. Ao terminar o curso primário, empregou-se como operário em uma confecção de calçados.
"Sou um autodidata, nunca tive professor de violão".
O pai de Dino era violonista amador, e em sua casa havia também outros instrumentos musicais; um de seus irmãos tocava cavaquinho, e o outro (Jorginho) tocava pandeiro.
Por volta dos oito anos de idade, Dino começou a dedilhar o bandolim, logo trocado pelo violão do pai. Escutando o rádio, imitando, tirando de ouvido, em pouco tempo Dino passou a dominar o instrumento. Somente na década de 1940 resolveu estudar mais formalmente, e teve aulas de teoria musical.
Depois de um início semiprofissional, acompanhando o cantor Augusto Calheiros, o Patativa do Norte, em circos e teatros, durante meados da década de 1930, Dino ingressou, em 1937, no Regional de Benedito Lacerda, que era o grupo de maior prestígio da época. Permaneceu com o Regional até a década de 1960, quando se juntou ao Conjunto Época de Ouro, de Jacob do Bandolim. Durante esses quinze anos, participou das célebres sessões com Pixinguinha e Benedito Lacerda, gravou dezenas de discos, viu o Regional de Benedito Lacerda se transformar em Regional do Canhoto – após o afastamento de Benedito – e acompanhou todos os grandes nomes da era do rádio, como Carmen Miranda, Francisco Alves, Orlando Silva e Silvio Caldas.
A formação mais constante do Regional tinha Altamiro Carrilho (flauta), Meira e Dino (violões de seis cordas), Popeye (pandeiro), e Canhoto (cavaquinho).
Dino e Meira se tornaram uma espécie de grife no mundo do samba e do choro, sendo incontáveis as gravações das quais participaram durante três décadas, com e sem o Regional de Canhoto.
Em 1961, já com o nome artístico de Dino Sete Cordas, passou a fazer parte do Jacob e seu Regional, com Cesar Faria e Carlos Leite (violões de seis cordas), Jonas Silva (cavaquinho) e Jorginho do Pandeiro. Em 1966, Jacob considerou que a música que faziam não era mais a música dos regionais, e rebatizou o grupo como Conjunto Época de Ouro, que muitos consideram o principal conjunto de choro de todos os tempos. Com ele, Dino viveu o primeiro ápice de sua carreira, marcado pelo disco “Vibrações”, e pela apresentação do grupo gravada ao vivo no Teatro João Caetano, com Elizeth Cardoso e Zimbo Trio.
Seguiu-se um período de ostracismo, após o falecimento de Jacob, em 1969. Todos os espaços haviam sido tomados pelo rock e pela nascente MPB. "Eu passei a tocar guitarra porque já não era mais chamado para tomar parte em gravações. Aí me chamaram e eu passei a tocar com o Paulo Barcelos, que tinha um conjunto de bailes e tocávamos todo fim de semana. Eu defendia. Mas ficava muito triste e chateado, porque eu gostava do choro, que estava em baixa".
O retorno aconteceu em meados da década de 1970, com o “renascimento” do choro a partir do disco “Nervos de Aço” e do show “Sarau”, ambos de Paulinho da Viola, em 1973. Logo em seguida, faria os arranjos dos primeiros discos de Cartola, consolidando o segundo ápice de sua vida musical.
A partir daí, retomou a carreira com o Época de Ouro, que prosseguia com Déo Rian e, depois, Ronaldo do Bandolim em lugar de Jacob. Além disso, tornou-se um dos músicos de estúdio mais requisitados pelos principais cantores de samba e MPB. No ano de 1991 gravou seu único disco como protagonista: "Raphael Rabello & Dino 7 Cordas", reunindo o mestre e seu principal discípulo em clássicos do choro.
Durante quinze anos, entre 1937 e 1952, Dino tocou o violão tradicional, de seis cordas, e foi com ele que participou das gravações históricas de Pixinguinha e Benedito Lacerda no final da década de 1940. Ou seja, antes de se dedicar inteiramente ao violão de sete cordas, Dino já era um violonista completo e conhecia os segredos do violão de seis cordas.
Mais ainda, tinha como parceiro no Regional de Benedito Lacerda o violonista Meira, com quem já formava a dupla de violões do conjunto. Na distribuição de funções entre eles, Meira cuidava principalmente da harmonização, do centro, enquanto Dino fazia as inversões de acordes e os baixos.
Para violonistas como Mauricio Carrilho, essa experiência foi importante para o desenvolvimento da linguagem do instrumento.
"A minha opinião é que ele sofreu muita influência de Pixinguinha, na época em que ele fazia duetos com Benedito Lacerda. O Pixinguinha no saxofone fazia o contraponto, mais grave, como faria mais tarde o Dino com o sete cordas." (Maurício Carrilho)
“Tudo o que ele [Pixinguinha] fazia, eu fazia”. (Dino)
O violão de sete cordas era usado no choro desde o início do século XX. Os dois executantes mais conhecidos eram China (que morreu cedo), irmão de Pixinguinha, e Tute, que tocou em diversos conjuntos liderados por Pixinguinha, como Os Oito Batutas, Grupo da Guarda Velha e Orquestra Victor.
Tute era a maior admiração de Dino: "Eu achava lindo o Tute tocando aquele violão, mas não queria que ele pensasse que eu o estava imitando, então só comecei a tocar sete cordas depois que ele morreu. [...] Eu gostava do som do Seu Tute [...] e passei para o sete cordas.”
Pixinguinha deixou o Regional de Benedito Lacerda e, pouco depois, o próprio Benedito se afastou, sendo substituído por Altamiro Carrilho. Tute havia morrido. E Dino resolveu, enfim, adotar o violão de sete cordas, para reeditar os contrapontos de Pixinguinha e suprir a falta dos graves no então denominado Regional do Canhoto.
Entretanto, só depois de nove meses tocando o novo instrumento com o Regional é que Dino se arriscou a utilizá-lo numa gravação.
A partir daí, a partir de um amálgama das influências de Tute, dos diálogos com Meira, da experiência com os contrapontos de Pixinguinha e Benedito Lacerda, Dino desenvolveu a sua linguagem própria, que veio a se transformar na própria linguagem do violão de sete cordas moderno.
"Dino deu a maior contribuição no violão de sete cordas. Ele estabeleceu definitivamente o papel dos dois violões na formação regional. Dino começou a tocar o sete cordas na década de 1950, e acho que ele foi desenvolvendo essa linguagem, e nos anos 60 estava na auge. Tem uma gravação que eu particularmente considero um divisor de águas. É um disco de 1964, de Altamiro Carrilho, chamado ‘Choros Imortais’. No repertório tem muitas músicas de Pixinguinha, sem o Pixinguinha tocando, e o Dino faz o contraponto, de uma maneira que eu considero um marco. Nessa época, ele já usava a sétima corda de uma forma mais doce, mais macia, menos metálica." (Maurício Carrilho)
Uma das técnicas criadas por Dino Sete Cordas é conhecida como violão tamborim – “essa batida caracteriza-se pela execução em pizzicato, enfatizando a sonoridade percussiva do instrumento. [...]
“Na introdução de ‘Corra e olhe o céu’, no quinto compasso, Dino começa a apresentar a técnica do ‘violão tamborim’, que usará em toda a música, em que os dedos indicador e médio desenvolvem uma rítmica bastante articulada e sincopada, e o polegar divide sua função entre marcar tempo em semínimas e sincopar – muitas vezes, em seqüências de colcheias pontuadas.” (Márcia Taborda) Dino dominou de tal forma a “baixaria” do choro e do samba que raramente se limitava a tocar o que havia ensaiado; seu violão é marcado pelo improviso, pelo risco, pela experimentação de motivos, ritmos e contrapontos, porém sem qualquer exagero – o violão de Dino borda a melodia do solista ou do cantor, sem jamais atravessar o seu caminho.
Como compositor, Dino usava seu nome verdadeiro, Horondino Silva. Teve poucas composições gravadas.
Entre as que tiveram gravações instrumentais, a mais conhecida é “Aperto de mão”, escrita com seu maior parceiro musical, Meira, e letra de Augusto Mesquita. Foi gravada instrumentalmente, entre outros, por Canhoto e seu Regional e Marcel Powell.
Além dela, outros exemplos são: “Bem dançante” (em parceria com Orlando Silveira), gravada por Canhoto e seu Regional “Gingando” (em parceria com Canhoto), gravada por Canhoto e seu Regional “Inês” (em parceria com seu filho Dininho), gravada por Avena de Castro “Ivone” (em parceria com Altamiro Carrilho), gravada por Canhoto e seu Regional “Minha crença” (em parceria com Del Loro), gravada pelo Conjunto Época de Ouro “Roda de Bamba” (em parceria com Canhoto), gravada por Canhoto e seu Regional “Se você visse” (em parceria com Del Loro), gravada por Canhoto e seu Regional Todas as suas composições são choros e canções típicos e tradicionais, praticamente desconhecidas, que só esporadicamente aparecem no repertório dos chorões.
“O Cartola tocava violão – mal, mas tocava – e eu ia escrevendo. Aí, comecei a fazer os arranjos. Trocava acordes, fazia diferente do que ele fazia. Fazia os baixos ... Eu harmonizei tudo, e passaram a dizer que era arranjo meu”.
Dino foi o responsável pelos arranjos dos dois primeiros discos de Cartola lançados pela gravadora Marcus Pereira em 1974 e 1976. Também são de Dino, em parceria com Raphael Rabello, os arranjos do disco que os dois gravaram juntos, e em numerosos outros discos de samba e choro do qual participou, e pelos quais não recebeu crédito de arranjador.
Em seus últimos anos de vida dava aulas de violão. Morreu de pneumonia em 27 de maio de 2006 no Hospital do Andaraí. O corpo foi velado e sepultado no cemitério São João Batista, no bairro de Botafogo.
Discografia
"Se eu tivesse todos os discos em que gravei, eles não caberiam nesta casa".
Apesar disso, o fato é que em toda a sua carreira Dino só teve seu nome estampado no título de um único disco: “Raphael Rabello & Dino 7 Cordas”, da gravadora Caju Music, no ano de 1991. Como solista, não gravou um disco sequer.
No entanto: “Quando as pessoas perguntam pra mim como devem estudar violão de sete cordas, eu respondo que devem ouvir “Vibrações”, “Choros Imortais I e II” e os dois discos do Cartola da Marcus Pereira. Está tudo ali." (Paulão Sete Cordas)
Esta é uma espécie de antologia de Dino Sete Cordas: “Choros Imortais (Copacabana, LP/1964), de Altamiro Carrilho, com acompanhamento de Canhoto e seu Regional "Choros Imortais no. 2" (Copacabana, LP/1965), de Altamiro Carrilho, com acompanhamento de Canhoto e seu Regional “Vibrações” (RCA Victor, LP/1967), de Jacob do Bandolim e Conjunto Época de Ouro "Cartola" (Marcus Pereira, LP/1974) "Cartola" (Marcus Pereira, LP/1976)
“Violões do Brasil”: organização, Myriam Taubkin; textos, Maria Luiza Kfouri. 2ª edição: Editora SENAC, São Paulo, Edições SESCSP, 2007
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